1.10.07

THE GIRL IN THE CAFE - impressions from Andy


Penso, neste instante, nos raios de sol entrando num quarto com uma cortina ao vento em uma manhã de primavera, tal qual aquelas que só existem na nossa bucólica e um pouco nostálgica imaginação! Nossos refúgios...por quanto tempo eles duram? Onde escondemos nossos ideais, nossos desejos, nossas perversidades? Outrora escrevi aqui o quanto somos nós e o quanto há de veracidade no ser "solidário", o quanto precisamos nos apoiar e sobrepor o exercício do orgulho e do preconceito para experimentar uma realidade de outrem. Duas realidades, duas histórias, dois tempos e muitos, muitos sentimentos. Assisti essa semana um filme produzido para TV pela inglesa BBC e compartilho minhas impressões.

De certa forma, nós sempre seremos inocentes, sempre haverá um momento de total credulidade para justificar nossas atitudes, para disfarçar nossas carências, ou nossos fantasmas do passado. Mudamos os ciclos, arduamente, a custo de muita reflexão! No entanto, eventualmente, o cotidiano nos coloca frente a situações, ou a pessoas (muitas delas anônimas - seja temporalmente ou intimamente) que nos trazem a esses quartos com o quente do sol matinal, com a cortina velando a luz! E nos deitamos na cama tão agradável quanto queremos. Estou, agora, achando que em uns mais e noutros menos, nosso quarto, nosso momento de nostalgia sentimental, nosso castelo encantado está dentro de todos! Perdoem-me os mais céticos, alegrem-se os mais românticos. Somos humanos e para tanto, somos, sendo! Como no filme, a experiência íntima independe das convenções, mas se desvela na realidade de dois caminhos, que muitas vezes nem dimensionam suas interferências coletivas, por tão intimamente, serem movidos por suas experiências conscientes, boas ou ruins!


Por hora, me detenho a complementar o post anterior sobre a solidariedade em primeiro lugar lembrando que não temos como dimensionar a doação material, intelectual ou sentimental dos indivíduos para com aqueles convencional ou materialmente desprovidos, porque cada um tem seu limite monetário ou sentimental e, também, o quanto cada indivíduo está comprometido com sua própria vida. Portanto, lembrando os conceitos de prioridade, não apoio tentativas de heroísmo de tirar do que se tem para dar aos outros. Essas posturas, na minha opinião, são afagos em nossas culpas que se inflamam mais ainda. Mas de fato, existe, estatísticamente, toda uma situação de saúde e alimentação precária na organização da sociedade e que só é evidenciada pelo funcionamento de um sistema econômico validado mundialmente que se sustenta na troca de valores (monetários, braçais, intelectuais, etc.) e por uma interconexão mundial e por consegüinte sua interdependência, tudo funciona assim, e bem. O fator social, que também é mostrado no filme, serve de pano de fundo para um cenário de contrastes e decisões que, no macro-ambiente, podem ajudar essas comunidades, mesmo que somente pequenas partes consigam chegar a seu destino muitas vezes.

É como no filme, nós criamos um cenário como esse quarto que eu mesmo recorro freqüentemente para contar uma história que no cotidiano termina inusitadamente, ou que é abruptamente encerrada. Me pergunto o quanto sabemos de nossos limites e o quanto de inocência nos permitimos utilizar para justificar todo um apoio em outra pessoa e depois de simplesmente desconstruir todo um ideal de vida, um alicerce bem feito que serviria para uma casa sólida, vimos as cortinas esvoaçantes queimarem com a luz do sol, e descobrirmos uma cama de faquir!
Quantas garotas do café já encontramos ou já fomos?

http://www.thegirlinthecafe.com/

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OUVINDO: Norah Jones

LENDO: Rubem Alves - "Perguntaram-me se acredito em Deus"

VENDO: - JERICHO - primeira temporada.

1 Comentários:

Anonymous Ingrid disse...

Andy thank you very much for taking the time to both watch the film and write this review!

All the best from London :)

6:18 AM  

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